terça-feira, 23 de março de 2010

No mês das mulheres, um exemplo de mulher!!!


No último dia 08 foi comemorado o dia internacional da mulher estava mudando os canais da TV aleatoriamente e parei numa emissora qualquer que prestava homenagem a uma senhora. Fiquei curiosa com o pouco que ouvi, mas o programa estava no fim. Não consegui identificar o nome daquela mulher, mas o que assimilei de sua história me atiçou a curiosidade, corri para o Google. Confesso que não foi difícil, mesmo sem saber sequer o nome da senhora, lembrei de já ter ouvido fragmentos daquele discurso em outra ocasião. Sendo assim segue um pouco da história de Adísia Sá e porque me despertou o interesse e ganhou enorme admiração.







Maria Adísia Barros de Sá é natural de Cariré, estado do Ceará. Professora emérita da UFC (Universidade federal do Ceará) e Jornalista profissional desde janeiro de 1955. Primeira jornalista sindicalizada do estado, com 55 anos dos seus 80 de vida dedicados ao jornalismo e ao magistério. Atualmente, a professora Adísia Sá leva o nome da Cátedra de Jornalismo da Faculdade do Nordeste (Fanor), a primeira cátedra da instituição e ainda dá aulas quinzenais sobre Ética e Legislação.



Referência ética para os jornalistas brasileiros, ela afirma: ”O nosso Código de Ética está perdido nos manuais de textos, num item do currículo de nossos cursos de jornalismo, nos discursos de fim de ano, na oratória dos políticos, nas agendas de nossos encontros: não é posto em prática. E sem ele e fora dele, não há salvação para o jornalismo que queremos, precisamos e pedimos nós, profissionais, nós cidadãos, nós Brasil.”



Quando perguntada sobre sua vida afetiva a senhora de cabelos brancos é bem humorada e diz: “Tive namorados... Mas sempre pensava: - Que diabo estou fazendo aqui de mãozinha dada? Vou é para um jornal-. O desafio do ser - humano é ser ele mesmo!” Aceitou o desafio, comprou a briga e se orgulha de ser a mulher que sempre quis ser. “Quando eu era mais jovem, queria ter os olhos da Bete Davis. E vi que não teria. Então, fui ser jornalista mesmo.” Afirma só ter tido um amor na vida e ter se mantido fiel a ele: “Não foi fácil, porque quando você escolhe um caminho, há tantas veredas, que às vezes você é levado a sair do seu caminho. É tão difícil a fidelidade a um amor, imagine se eu tivesse vários.”



Sobre o dia dedicado às mulheres Adísia me emocionou e com enorme bom senso declara: “Meu carinho e respeito às mulheres, que mesmo sem todo este brilho, tem a coragem de viver conforme seus desejos, abrindo novos caminhos, perseguindo novos horizontes. E para aquelas que ainda não se revelaram, meu carinho maior e um conselho: Toma as rédeas de tua vida, ninguém vai vivê-la por ti. Olha em teu íntimo e deixa desabrochar a semente da coragem. Vale a pena ser o que se é. Sempre!”


quinta-feira, 18 de março de 2010

FORÇA E CORAGEM!

         Conheço a Cláudia há alguns anos, ela é psicologa e foi quem me selecionou para trabalhar na Cultura em 2005. Sempre trocamos mensagens pelo orkut, mas nunca mais tivemos oportunidade de nos encontrar. Há alguns dias vi em suas atualizações mensagens que denunciavam que algo não estava bem, de imediato já a inclui em minhas orações e por coincidência, ou coisa de Deus mesmo, no mesmo dia ela colocou naquelas frases de cima da tela uma agradecendo a Deus e aos amigos e dizia que as orações destes estavam dando resultado, que ela estava se sentindo melhor. De lá para cá tentei entender o que ocorria com receio de ser direta e perguntar, uma vez que doenças nos deixam fragilizadas e muita pergunta em nada ajuda. Até que ela falou em quimioterapia e de repente CORAJOSAMENTE  relatou TODO o drama em um blog como esse.
           Como disse a ela, li tudo de uma só vez e me desmanchei em lágrimas. Não apenas com pesar pelo desafio que a querida Maria Cláudia está enfrentando, mas também por sua FORÇA e CORAGEM diante da situação.
          Me vi novamente obrigada a refletir sobre a fragilidade da vida. Nossos dias passam velozes. Não nos adianta toda a segurança do mundo, toda a riqueza e poder.
           Ver a Cláudia superando toda essa dificuldade com esse sorrisão no rosto me fez entender, de uma vez por todas, que devemos viver nossos dias com sabedoria, pois, a vida é uma só. Uma única e poderosa oportunidade para realizarmos projetos grandiosos e enobrecedores, capazes de produzir efeitos enriquecedores nos outros e principalmente em nós mesmos.
           Maria Cláudia segue seu caminho de maneira bela e da melhor maneira possivel, aproveitando cada momento ao lado de quem ela ama e principalmente sabendo sempre agradecer e reconhecer os ANJOS como ela diz, que Deus coloca em seu caminho.
           Cláudia, isso também já lhe disse: FORÇA e CORAGEM lhe sobram, mas Deus lhe dá todos os dias doses extras de motivos para continuar a LUTA. Que sua determinação em terminar o doloroso tratamento aumente cada dia assim como sua imunidade... rs... Risos, risos sim! Assim como ela no dia da quimio...



Visitem o blog da Maria Cláudia: http://www.mclaborne.blogspot.com/ 


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

E o que esperar de 2010??


A intenção era ter postado este texto bem antes, logo no começo do ano, mas foi um início atribulado. Muito, muito trabalho. O notebook (presentÃO da minha tia Marlise e da Mimi) todo configurado em inglês. O falecimento inesperado e dolorido de minha querida avó. O uso ininterrupto das lentes de contato que me causou uma inflamação ocular braba. Isabel de férias. Alicia distante... E como ela me faz falta...

Mas eis meus desejos para 2010... (acho que ainda está em tempo, afinal como todo bom brasileiro o meu ano também só começa oficialmente depois do carnaval).

Esse será um ano especial e bem movimentado. Teremos eleições e copa do mundo (amo!). Desejo ao meu amado país um ser - humano para governá-lo digno de exercer o papel de chefe de uma nação abençoada por Deus e bonita por natureza e claro a seleção brasileira de futebol hexacampeã do mundo, mas para ser completo quero que a PAZ mundial seja definitivamente conquistada independente de questões religiosas, políticas ou territoriais. Que acabe a FOME no mundo e que enfim possamos dar ADEUS a qualquer tipo de miséria ou sobrevida. A partir deste ano ninguém, mas ninguém mesmo irá dirigir alcoolizado, mesmo que tenha sido só aquela cervejinha (vergonhosamente ainda me incluo na lista dos irresponsáveis que hora ou outra acham que, mesmo sendo o único, aquele chopp do happy hour é inofensivo), todos usarão cinto de segurança e a cultura de parar na faixa e respeitar o pedestre será difundida e assim em pouco tempo as estatísticas de acidentes automobilísticos terão seus índices drasticamente reduzidos e logo o Brasil será EXEMPLO mundial de RESPEITO às leis de trânsito.

A partir de 2010 as adolescentes entenderão, de uma vez por todas, que gravidez nessa fase apenas por OPÇÃO e com o planejamento necessário que pôr uma vida no mundo exige. AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis também terão índices estatísticos diminuídos e os especialistas em saúde otimistas irão declarar que em poucos anos as DST’s passarão a ser uma lembrança apenas.

Será o ano em que preconceito será apenas um verbete no dicionário e não um aguilhão na alma de alguns e todos poderão dar BOAS VINDAS à inclusão social. Os analfabetos terão cada vez mais APOIO e teremos um país em que todas as pessoas saberão ler e escrever. Todos cuidarão do planeta como nunca cuidaram antes e a mãe natureza GENTILMENTE irá retribuir dando trégua às tragédias anistiando anos de destruição desenfreada. Ninguém jogará mais lixo nas ruas e coleta seletiva e reciclagem será algo comum em todas as cidades do país.

Em 2010 os fumantes entenderão definitivamente os malefícios da nicotina tanto para si como para os outros e aprenderão acima de tudo a RESPEITAR a opção de não fumar dos que ainda possuem BOM SENSO. Tráfico de drogas, entorpecentes, órgãos, pessoas e armas deixarão de ser apenas crime previsto no código penal brasileiro e passarão a ser considerados crimes hediondos passiveis de pena de reclusão máxima e quiçá pena de morte.

Neste ano violência doméstica será coisa do passado e a tal lei Maria da Penha cairá em desuso. Os morros e favelas estarão 100% pacificados e os projetos sociais terão apoio suficiente para acolher todas as crianças e jovens do lugar.

Respeito, educação, gentileza, sensibilidade e gratidão sairão da teoria e passarão a fazer parte do dia a dia de todos. As religiões e seus lideres se ocuparão muito mais com o bem estar espiritual da humanidade do que com seus rendimentos dizimais. Haverá vida digna aos nossos idosos e crianças com seus estatutos devidamente respeitados.

Sonhos, vontades, desejos e utopias de quase perfeição! Com um vocabulário distinto, mas não menos rico este texto fez lembrar-me de minhas redações do ensino fundamental em que as professoras repetidamente sempre, no inicio do ano letivo, nos obrigava a escrever o que desejávamos para o ano que começava ou nos incitava a escrever sobre o mundo perfeito. Esse tempo ficou para trás. Disseram-me que a vida é feita de momentos, eu discordo a vida não é feita de momentos a vida e o futuro são feitos de nossas escolhas... Que cada um tenha capacidade e discernimento de escolher sempre o melhor para si, para os outros, para os que virão e para o planeta, assim quem sabe, um dia, alcançaremos com pequenas ações um LINDO FUTURO!

 
"Vida é tudo aquilo que acontece enquanto você está planejando o futuro..."
John Lennon

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Amizade para toda a vida....

Há acontecimentos que não combinam com palavras.
Foram feitos para o silêncio.
Neste momento recorremos aos símbolos e imagens...
Realidades que falam sem precisar dizer nada!!!


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Retrospectivas



Para o Brasil e para o mundo 2009 foi...
O ano em que o STF decidiu que para ser jornalista não precisa ter diploma.
O ano de Barack Obama, o príncipe negro que ganhou o prêmio Nobel da PAZ e que veio ao Brasil e declarou: “Lula é o cara”.
O ano das crises financeiras, da queda da bolsa de Nova York e do índice Dow Jones, ano do IPI reduzido para veículos novos e depois para a linha branca.
O ano que caiu um Boeing da Airfrance e vitimou 58 passageiros Brasileiros do vôo 447.
Ano em que uma Brasileira envergonhou o mundo simulando um ataque de ‘skinheads’ na Suíça.
Ano da morte de Clodovil, Farrah Fawcett, Lombardi e Michael Jackson.
O ano em que Adriano, ‘O Imperador’, voltou ao futebol do Rio.
Ano em que Max foi o vencedor do BBB 9.
O ano em que a ministra Dilma Rousseff anunciou ser vítima de um câncer linfático e passou a usar perucas.
O ano em que o cineasta Roman Polanski foi preso por pedofilia.
O ano da gripe suína.
Ano em que as provas do ENEM foram roubadas.
Ano em que Romário foi preso e Dado Dolabella também.
O ano dos bebês de Ivete Sangalo e Gisele Bündchen.
Ano do Flamengo hexacampeão Brasileiro e da seleção Brasileira campeã da Copa das Confederações.
O ano em que numa ação, promovida pelo WWF, 88 cidades do mundo apagaram as luzes em protesto contra o aquecimento global.
Ano de shows da Madonna no Brasil e do Iron Maiden em Brasília.
O ano em que o Rio de Janeiro e o Brasil ganharam a candidatura à Sede das olimpíadas de 2016.
Ano que encontraram agulhas no corpo de uma criança e dinheiro escondido nas meias de um parlamentar.
Ano que caiu a mascara do governador da Paraíba e de Brasília.
O ano do pré-sal.
O ano de César Cielo, do dopping de Daiane dos Santos e da mola do carro de Rubinho no capacete do Massa.

Para a astrologia 2009 foi...
O ano regido pelo sol.
Ano protegido pelo anjo Raziel.
Ano colorido de laranja, amarelo e dourado.
O ano do boi para os chineses.
Ano que começou numa quinta-feira e acabou numa quinta-feira.
Ano do número 2.
Ano da astronomia.

Para mim 2009 foi...
Um ano que definitivamente percebi que ninguém nasce sabendo nada, mas a vida traz quem te ensine e que aprender é opcional.
Ano de entender que existem escolhas a serem feitas e que optar pelo correto nem sempre nos satisfaz plenamente, mas é o que tem que ser feito.
Ano que me ensinou que levar tapas na cara é mais normal do que se pensa, mas que deixar que eles te derrubem é fraqueza. E que aprendi que se cair, devo me fortalecer pois sempre haverá alguém a sua espera aqui em cima.
Um ano em que descobri que algumas pessoas bem próximas a mim usavam máscaras, mas elas caíram e aí veio o desafio de voltar a acreditar no ser - humano e nas coisas que dizem.
Ano de fazer novos amigos, de reatar antigas relações e de reencontrar afetos.
Ano que vi que posso viver sem ter um grande amor, mas que ele existe só ainda não chegou a hora de se revelar, mas que sempre tem alguém que nos ama.
Um ano com percas irreparáveis, que abriram um buraco em minh’alma.
Ano de despedidas sem adeus, sem um último beijo...
Ano que me olhei no espelho da vida e tive um monte de respostas que há muito eu vivia procurando.
Ano de entender meus motivos, aceitar meus limites, meus medos e inseguranças.
Ano que desejei muitas e muitas vezes não ser como fui, mas que entendi que sempre fui o melhor que pude.
Um ano que vi que as mãos que me agarraram com força na hora do naufrágio nem sempre eram as mesmas que me convidavam para as festas.
Ano que compreendi o sentido de frases antigas, como: “Você faz uma festa sem ter R$1,00, mas não sem amigos.” “Melhor ter amigos do que ter dinheiro.” “Você pode ter conhecidos para lotar o Maracanã, mas os amigos verdadeiros você conta nos dedos das mãos.”
Um ano em que vou guardar comigo cada lembrança, cada momento, cada dor, cada decepção, cada pedra jogada. Mas guardo também cada sorriso sincero, cada abraço generoso, cada palavra de conforto, cada flor que me doaram enquanto eu trilhava meu caminho e toda torcida dos que me amam de verdade.
Ano em que muitas vezes houve vontade de desistir.
Ano em que senti que o desamparo era minha maior companhia.
Ano que declarei luto sem haver morte física alguma.
Ano que chorei sozinha na hora do banho na esperança que minhas dores fossem junto com a água pelo ralo.
Ano em que me usaram (litrealmente) e abusaram da minha boa vontade e generosidade.
Ano em que ganhei presentes que eram para outros e que zombaram de mim pelas costas.
Um ano que eu parei e pensei: “Isso simplesmente não poderia ter acontecido!”
Ah, foi o ano em que o Thi saiu da LC e que o Tchesco voltou.
Ano em que a Carol operou o pé esquerdo exatamente um ano após operar o direito.
Ano que o Léo ficou noivo da Dri e que eu me tornei madrinha oficial dessa união.
O ano do nascimento de João Miguel, Júlia Gabriela, Martina e Pietro.
Ano em que seu Joaquim completou 90 anos.
Ano que minha tia Marlise se aposentou e minha tia Jacqueline foi ao Japão matar saudades do Thiago e da Elizangela.
Ano em que eu e meu irmão fomos padrinhos de casamento da Daiane e do Rafael.
Ano dos casamentos da Vivi e do Marcio e do Brunno e da Camila.
Foi o ano que passei o carnaval nas praias do Nordeste, que conheci as dunas de Genipabu e a casa do Rapha em João Pessoa.
2009 foi o ano da minha FÊNIX...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Natal.....

Texto do ano passado, mas com um significado importante por muitos Natais!




Fica meu desejo de que ninguém esqueça o dono e o sentido da festa, mas que em contrapartida seu nome não seja levado em vão e que o Espírito Santo encha a vida dos bons de coração com sua graça, sua luz e principalmente sua PAZ!!!

Estou preparando a minha árvore de Natal. Quero que ela seja viva, mas não quero que seja exterior. Eu a quero dentro de mim. Tenho medo das exterioridades. Elas nos condenam. Ando pensando que o silêncio do interior é mais convincente que o argumento da palavra.


Quero que minha árvore seja feita de silêncios. Silêncios que façam intuir felicidade, contentamento, sorrisos sinceros.

Neste Natal não quero mandar cartões. Tenho medo de frases prontas. Elas representam obrigação sendo cumprida. Prefiro a gratuidade do gesto, o improviso do texto, o erro de grafia e o acerto do sentimento. A vida é mais bonita no improviso, no encontro inesperado, quando os olhares se cruzam e se encontram.

Quero que minha árvore seja feita de realidades. Neste Natal quero descansar de meus inúmeros planos. Quero a simplicidade que me faça voltar às minhas origens. Não quero muitas luzes. Quero apenas o direito de encontrar o caminho do presépio para que eu não perca o menino Jesus de vista. Tenho medo de que as árvores muito iluminadas me façam esquecer o dono da festa.

Não quero Papai Noel por perto. Aliás acho essa figura totalmente dispensável! Pode ficar no Pólo Norte desfrutando do seu inverno. Suas roupas vermelhas e suas barbas longas não combinam com o calor que enfrentamos nessa época do ano. Prefiro a presença dos pastores com seus presentes sinceros.

Papai Noel faz muito barulho quando chega. O papai Noel chega derrubando tudo. Suas renas indisciplinadas dispersam as crianças, reiram a paz dos adultos. Os brinquedos tão espalhafatosos retiram a tranquilidade da noite que deveria ser silenciosa e feliz. O grande problema é que não sabemos que a felicidade mais fecunda é aquela que acontece no silêncio.

É por isso que neste Natal eu não quero muita coisa. Quero apenas uma razão que me faça acreditar que a noite poderá ser verdadeiramente feliz. Neste Natal eu não quero muito. Quero apenas dividir com os meus o desejo mais intenso de que a vida vença a morte. Talvez seja por isso que ando desejando uma árvore invisível. O único jeito que temos de vencer a morte é descobrindo a vida nos pequenos espaços. Assim vamos fazendo a substituição. Onde existe o desespero da morte eu coloco o sorriso da vida.

Façam o mesmo!

Descubram a beleza que as dispersões deste tempo insistem em esconder. Fechem as suas chaminés. Visita que verdadeiramente vale à pena chega é pela porta da frente.

Na noite de Natal fujam dos tumultos e dos barulhos. Descubram a felicidade silenciosa. Ela é discreta, mas existe! Eu lhes garanto!

Não tenham a ilusão de que seu Natal será triste porque será pobre. Há mais beleza na pobreza verdadeira e assumida que na riqueza disfarçada e incoerente. O que alegra um coração humano é tão pouco que parece ser quase nada. Ousem dar o quase nada. Não dá trabalho, nem custa muito...

E não se surpreendam, se com isso, a sua noite de Natal tornar-se inesquecível.

domingo, 6 de dezembro de 2009

...



Você não é o primeiro a me pedir para lhe escrever um texto, mas talvez o primeiro a quem eu atenda o pedido...



A matéria prima do texto de hoje é alguém muito importante na minha vida, embora eu nunca tenha lhe dito isso, acho que mais por falta de oportunidade do que de vontade ou de motivos para isso. Acontece que assim caminha a maioria da humanidade, e eu não sou nem um pouco diferente, ficamos esperando o momento oportuno, a hora certa e aí vem a vida, o destino ou as circunstancias e se encarregam de nos afastar, de nos roubar a intimidade e a liberdade tão cuidadosamente adquirida. Antes que isso me aconteça quero que de alguma maneira saibas do que digo, que entenda meus motivos e reconheça minhas razões.


Entenda que você é meu mau humor mais gostoso, minha teoria mais completa, minha confiança mais segura, meu bem-estar predileto... Reconheça que é minha emoção mais dolorida e verdadeira ao compartilhar a ausência de nossas mães. O cuidado que preciso, a atenção que sempre esperei, que não houve alguém capaz de dispensar e que eu já tinha desistido de acreditar que existia. Saiba que é minha diferença mais semelhante. Meu paradoxo mais delicioso. Interessante por si só, alguém que se basta e por isso é capaz de ser completude para os outros, merecedor de admiração e de inspiração.


Muito obrigada por todos esses anos de convivência pacífica, intensa e recíproca! Sou incapaz de retribuir aquela declaração de amor literalmente inebriante... Que talvez nem se lembre das palavras, pois você sim poderia estar tão embriagado, eu nem tanto! Fui permissiva, mas meu consentimento foi totalmente consciente, desejoso de suas atitudes. E assim quero ter você na minha vida por todos os dias até que eles se findem e quando isso acontecer que fique a nossa certeza de que fomos o melhor um para o outro sem qualquer mágoa e sem arrependimentos com toda dedicação possível.


Torna importante, fundamental, especial e carregado de significado cada gesto, cada palavra, cada toque... mesmo que negado, mesmo que disfarçado ou sem intenção. Que a sensibilidade de perceber as necessidades um do outro nos cerque para todo o sempre. Amo você seu enjoado!


"Nós dois que sequer nos parecemos

E não cabemos num mesmo espelho

Mas nos olhamos toda manhã..."



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O caminho....


Juro que queria ter outro tipo de inspiração, mas admito ser um pouco como Rubem Braga que em um belo texto disse: “Imprudente oficio é este, de viver em voz alta.” Minha inspiração vem do que sinto, do que vivo e do que me provoca enquanto ser - humano.



Outro dia a caminho de casa – que nem era muito longo – vim percorrendo aquela distancia e refazendo também o caminho que percorri até agora, enquanto isso tentava conter lágrimas impertinentes que teimavam em correr pelo meu rosto e que sumiam com a velocidade do vento que soprava pela janela do carro.


Como é difícil lidar com o bicho gente, como é difícil admitir que o tempo todo estive enganada a respeito de algumas pessoas. Começo a acreditar numa coisa que sempre me recusei a crer: que encontrar amigos de verdade é ainda mais difícil do que ganhar na mega. No entanto, continuo me recusando a acreditar que exista um número de pessoas tão dissimuladas a ponto de chegar ao ponto ficar só nesse mundo cão.


Enfrentei pouquíssimas, mas intensas, decepções bruscas, por sorte meu coração tem poder auto-reconstrutivo, senão estaria perdida. Talvez seja essa uma das grandes vantagens de ser alguém que não faz maldades, não usa as pessoas, que acredita no ser – humano, respeita muito as opiniões, opções e principalmente sentimentos alheios. Que sempre tenta se colocar na posição do outro.


Conheço poucas pessoas tão bobas com amizades, que ame com tanta facilidade e entrega. Que se dedica, acredita e abre mão das próprias vontades em prol do bem estar de seus amigos. Pode não parecer tão nobre, mas eu não queria ser essa pateta... É isso, hoje quem ama assim é pateta e se torna alvo fácil de gente aproveitadora, que entra na sua vida e faz aquele estrago. Propositalmente ou não. Intencionalmente ou não. Inevitavelmente ou não. Nada disso vem ao caso. Quando está em jogo algo tão sagrado como uma amizade não há meio termo, não há interesses individuais. São no mínimo duas almas envolvidas isso já caracteriza a relação como coletiva, atitudes tem que ser obrigatoriamente dosadas, pensadas, avaliadas.


Pergunto-me quantas vezes terei que “quebrar a cara” para aprender que não deve doar-se tanto, que nem todo sorriso é sincero, que nem todo “te adoro” carrega consigo sentimento, que nem todas as vezes que alguém disser que minha amizade não se compara a outros relacionamentos é verdade, que muitas pessoas usam máscaras, que ninguém é igual a mim e, portanto nunca entenderão o que sinto... Nunca agirão como eu, se colocando na posição do outro, dosando atitudes, cuidando para não ferir sentimentos. E principalmente acolhendo com carinho e muito respeito, mesmo sem poder ou saber retribuir, declarações de amor...


É lamentável tanto tempo, energia e sentimento jogado fora, tanta gente por aí precisando de amor, de carinho, de um ombro amigo e uns e outros desperdiçando, usando.... Depois de tanto tempo, até hoje não sei explicar, não entendi o que aconteceu, mas quero carregar comigo a certeza de que tudo foi necessário. Que existe um Deus que a tudo vê e sabe melhor do que eu o que é melhor pra mim... E por isso humildemente aceito a sentença. Que cada um receba a sua com toda dose de merecimento...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Gratidão



Sempre acreditei muito no que, desde pequenininha, lia na bíblia e por isso durante um bom tempo tive como verdade que o maior sentimento do mundo era a caridade, que ora se confunde e se transforma em sinônimo de amor, principalmente e, sobretudo amor ao próximo. Em 1 Coríntios 13:13 está assim: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estes três, porém o maior destes é a caridade”.


No dicionário caridade aparece como: 1. O amor que move a vontade à busca efetiva do bem de outrem [...]. 2. Benevolência, complacência, compaixão. 3. Beneficência, benefício, esmola. Ainda acredito muito no amor e na caridade como os maiores sentimentos do mundo, mas nestes tempos em que, (como diz o poeta: “Afinal, amar ao próximo é tão démodé...”) o amor tem sido tão deixado para lá começo também a crer que lado a lado ao maior sentimento do mundo está a gratidão. Li uma frase do Marquês de Maricá que define bem o que sinto: “Gratidão é o produto do nosso amor próprio, nos traz saúde emocional e bem estar!” É isso, nos sentimos melhores ao sermos gratos e quando assim o somos recebemos mais e nos tornamos merecedores de graças divinas.



Tenho feito esse exercício de agradecimento diariamente, repito várias e contínuas vezes: Obrigada! Obrigada! Obrigada, Deus! Até mesmo quando tudo que eu planejei dá errado eu ando agradecendo. Até mesmo quando sofro a pior das agressões: a emocional, coisa corriqueira ultimamente, eu ando repetindo e agradecendo a Deus e faço isso por acreditar muito que quem sabe agradecer está pronto para receber. Só que repetições são inválidas a medida que não são concretizadas. São inúteis se não formos capazes de transformar essa gratidão em bem estar também ao nosso próximo. Não há coerência em sermos tão gratos e por outro lado tão mesquinhos a ponto de não entendermos a necessidade do outro. Conquistar a virtude de ter um coração agradecido implica antes de tudo respeitar a todos e ao mesmo tempo não perder o discernimento. Não pretendo falara sobre o oposto do amor e da gratidão que é a ingratidão e a falsidade, isso definitivamente é tema para outro longo texto.



O sentimento é nobre, mas há de haver um quê de igualdade, porque gratidão é horizontal, é lado a lado, é um belo sentimento que traz consigo uma série de outros sentimentos como o amor, a ternura, a fidelidade e a amizade... Fica eu desejo de gratidão, primeiramente ao Arquiteto do universo e depois a todos que, bem ou mal, contribuem para a minha essência. Que todos possam ter o reconhecimento daqueles a quem devemos ou de quem somos alvos de gratidão.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Satisfação aos meus leitores...


Admito que as postagens estejam cada vez mais espaçadas e muito longe do que idealizei quando me dispus a criar o blog, mas é que além do turbilhão que está minha vida também estive (e ainda estou) sem computador. Depois de pouco mais de seis meses ele voltou para as mãos do Júnior, meu amigo entendedor de informática que generosamente nunca me cobra nada por essas manutenções, mas que também nunca perde a piada ao dizer: “E aí Lady (apelido carinhoso que ele me deu e poucos sabem o verdadeiro significado...), qual vai ser a forma de pagamento?” Na verdade, nunca paguei nada de forma alguma e desta última vez ele nem fez a piadinha de sempre, talvez por compadecer-se com minha cara de desolamento ao ouvi-lo dizer: “ Lady, o HD foi para o saco, estourou, perdeu tudo, só outro agora!”


Quem me conhece, pelo menos um pouquinho, sabe que não sou materialista, não no conceito que tenho sobre os materialistas, que penso são os gananciosos e que querem sempre mais ou que vivem em função da aquisição de bens materiais, mas reconheço que sou apegada, mas aí tem muitos outros conceitos envolvidos, sou apegada porque gosto muito de ficar relembrando momentos importantes de minha vida. E isso me dá uma sensação de aconchego; o passado, e em especial as emoções passadas. Junto com o HD que o Júnior jogou no lixo estavam muitos textos antigos e que tinha a pretensão de compartilhar aqui, muitas músicas que marcaram minha história e tantas fotos que carregavam muitas recordações.



Mas enfim, os textos eu reescrevo, as músicas eu baixo novamente, as fotos recupero uma aqui outra ali em um Cd esquecido ou no Orkut dos amigos. E tem um lado bom um HD novo pode ser bom, poder ser a oportunidade que preciso para jogar fora tudo que me prende ao passado, àquele mundo de coisas tristes, fotos, lembranças, recordações que nunca saberei se foram verdadeiras ou não...



Termino por aqui com um lindo poema de Carlos Drummond, aliás, entre as lembranças da minha infância me recordo de minha irmã chorando quando o Drummond morreu acho o ano era 1987, eu era muito pequena, mas cresci e entendi seu choro e o valor desse poeta. Hoje o escolhi para finalizar o texto porque ele traduz minha vontade de recomeçar com um novo HD...


Não importa onde você parou...
Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível recomeçar.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e, o mais
importante...
Acreditar em você de novo.
Sofreu muito neste período? Foi aprendizado...
Chorou muito? Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só diversas vezes?
É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora...
Onde você quer chegar? Ir alto?
Sonhe alto... Queira o melhor do melhor...
Se pensarmos pequeno... Coisas pequenas teremos...
Mas se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo
melhor...
O melhor vai se instalar em nossa vida.
Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.
(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quando palavras alheias falam mais que as suas...


Outro texto que também não é de minha autoria, mas quero assim divulgar o talento de um companheiro das letras, que eu o comparo aos mestres da literatura de cordel com um estilo semelhante ao de Cuíca de Santo Amaro, grande cordelista baiano assim como o autor desse texto meu amigo Erinalvo da Silva Oliveira. Poeta anônimo que faz sua arte em silêncio e a expressa de forma soberana a quem sabe acolhe-la.


O primeiro poema me emocionou do inicio ao fim. Ele foi escrito especialmente para mim, num dia em que a sensibilidade do poeta se voltou para minha dor e compadecido me presenteou com essas belas palavras.


O segundo texto é sobre o Norte de cada um... Reflexão importante... Sempre!





Lidiane...

Se eu tivesse um poder/ Ou força no pensamento/ E pudesse te ajudar/ Te tirar desse sofrimento/ Eu juro que faria tudo/ Para não ver você sofrendo.

Mas sou fraco, e mesmo assim/ Tenho algo a te falar/ Isso não vai ser o fim/ Não irá te derrubar/ Porque DEUS está contigo/ Ele não vai te deixar.

Ele é teu grande amigo/ Vai te fazer superar/ Acredite, pois eu digo/ Logo poderá brincar/


E rever os seus amigos/ Que estão a te esperar.

Loucos pra dizer assim/ Minha querida amiga/ Que bom ver você


Voltar!



quinta-feira, 24 de setembro de 2009

SER TIA....




Dia desses a Ana me perguntou:
- Lidi, é bom ser tia?
- É sim! É muito bom ser tia - Disse eu.
Ela nunca se satisfaz com respostas, afirmativas ou negativas que sejam, que só repetem a pergunta e continuou:
- Mas porque você acha tão bom assim ser tia?
Só consegui sorrir e lhe retribuir o beijo melecado de marshmallow sem saber lhe dar uma resposta convincente.
Ana Beatriz, que daqui há alguns anos (não muitos porque para uma garotinha de sete anos que explica com detalhes o que é mercantilismo isso deve ser tarefa fácil) ao ler esse texto você consiga ter suas respostas sobre o porquê a Lidi AMA tanto ser tia e ser mais... ser SUA TIA.


Ser tia não é ficar para titia (jargão utilizado para distinguir pessoas sem muita sorte em seus relacionamentos) embora no meu caso também seja rsrsrs...

Mas ser tia ou tio é mais que isso...


É olhar a para um novo ser que acaba de nascer e sentir que não nunca sentiremos emoção igual, mesmo que venham a nascer outros e mais outros;

É usufruir da fragilidade e da docura que só os bebês possuem;

É ser cúmplice da ingenuidade deles;

É ter a possibilidade de recriar a própria infância;

É atravessar a rua com mais cuidado;

É dirigir com prudência;

É voltar a brincar de bonecas por insistência delas;

É deixar alguém fazer loucos penteados com as mãos lambuzadas de chocolate em seus cabelos limpos;

É ir a lojas de brinquedo e querer comprar a mais sofisticada casa da Barbie;

É planejar presente especial para a Páscoa, dia das crianças e Natal;

É se preocupar com o futuro deles como se fossem nossos filhos mas saber que têm mães e pais que olham por eles;

É ser amiga de crianças com 6, 8, ou 11 anos;

É fingir que não viu o chiclete grudado no sofá e nem o milk-shake respingado no vestido branco;

É assistir A ERA DO GELO 3 no cinema com direito a pipoca, suco Kapo, guloseimas de todas as espécies e, pasmem, mexerica... (isso só na minha família);

É com o coração partido dar uma bronca e colocar cada um para um lado;

É aturar uma noite do pijama que durou 24h e reuniu 15 crianças na sala de casa;

É ir à praia e ficar na beirada porque crianças tem medo de tubarões...

É antes de tudo ser muito, muito FELIZ!!!

Quando minha irmã confirmou a gravidez eu disse a ela: “É o dedo de Deus me dando uma enorme alegria depois de tantas lágrimas derramadas esse ano”

Quando se anunciou o alto risco desta gestação meu coração se encheu de esperanças e junto uma vontade enorme de ver meu sobrinho ou minha sobrinha superar essa dificuldade... Hoje a luta é de todos nós, de minha irmã principalmente e do embriãozinho que mede menos de 1cm, mas que já nos enche de alegria e de forças.

Meu guerreiro ou minha guerreira a titia e toda família lhe espera ansiosa e se junta à sua mamãe nessa luta, você não está só!

Vamos preparar um lar harmonioso para sua chegada a esse mundo e recebê-lo com muito carinho!!!
 
 
"Já que pra ser homem tem que ter a grandeza de um menino, de um menino...
No coração de quem faz a guerra nascerá uma flor amarela como um girassol..."
(Toni Garrido)

domingo, 20 de setembro de 2009

Há nove anos!!!



Há nove anos o mundo perdeu uma grande mulher, não era nenhuma celebridade ou alguém que a mídia se interessou por ela, mas uma guerreira que lutou com uma força inigualável até seu último respiro. Naquele 20 de setembro de 2000 ela não conseguiu vencer a batalha que a família desejava, mas ganhou a vida eterna...

Terezinha

Esse era seu nome. Assim mesmo no diminutivo como a santa. Nome que representa força, luta e coragem. Nome que jamais esquecerei, que foi gravado a ferro e fogo dentro do meu coração e de todos que a conheceram. Sem dúvidas a pessoa que eu mais amei na vida.


Mulher, mãe, amiga, esposa, companheira e avó incomparável, de força interminável. Exemplo de vida para todos, foi com ela e só com ela e com seus exemplos que aprendi o que é gratidão, doação, amor ao próximo e caridade.


Ela abdicou de sua maturidade e dos possíveis benefícios de sua velhice para criar a mim e meus irmãos, após enfrentar a morte prematura da filha mais velha e no mesmo ano enterrar o marido. Lutou até o último minuto de sua existência para livrar seus filhos dos vícios e das maldades do mundo. Protegeu a quem amou. Viveu pelo outro. Muitas vezes sem conforto e sem paz, mas sempre com muita fé.


Quando a minha mãe saiu de casa para ao hospital eu ainda era muito pequena, mas no meu peito tinha a certeza de que ela nunca mais voltaria para nossa casa, mas com minha vó foi diferente. Eu tinha certeza que ela voltaria, passei a madrugada inteira na capela daquele hospital cochilando no colo do meu primo Thiago e esperando o médico dizer que poderíamos ir para casa, mas a noticia que ele trouxe foi a de que ela seria encaminhada para a UTI e pediu que eu recolhesse seus pertences. Retirei a aliança, os anéis e a medalha milagrosa de Nossa Senhora das Graças. Ela me olhou e disse assim: “Se eu não voltar desse lugar para onde estão me levando, dê esta medalha a Cristina, cuide de seu irmão, da Alicia e principalmente seja muito feliz, e diga a todos amo cada um vocês!” E enquanto eu trocava suas roupas ela foi repetindo os nomes de seus filhos, netos e genros, começou pelos mais problemáticos, por aqueles que a sociedade rejeitava e ela acolhia com toda intensidade de seu amor de mãe... "Kel, Juanildo, Marlise, Liliana, Noemi, Jacqueline, João, Thiago, Raphael, Felipe, Diego, Bruna, Jonatha, Milene, Átila, Luiz, Caroline..." e repetiu: "Dê a medalha a Cristina, cuide de seu irmão e da Alicia"... Ainda continuou falando alguns outros nomes e a enfermeira me afastou dizendo: "A partir daqui ela segue sozinha", mas quem seguiu sozinha fui eu... E sigo!


Minha querida vovó!


A falta que seu corpo físico me faz é confortada pela certeza de que estas e para sempre continuarás nas nossas vidas, como nosso guia, nossa proteção, nosso eterno Anjo da Guarda!


Por vezes ainda penso que quando eu chegar em casa você estará lá, que eu vou poder te contar as novidades do dia, que vamos rezar o terço juntas ou que vamos inventar um mexido para o jantar. Sinto saudades de tuas palavras, de tua presença forte e discreta, de tua força e de tua coragem frente às adversidades da vida, do teu jeito simples de viver, do alicerce firme e inabalável que nos apoiava e que carregava uma família inteira nas costas, mulher inquebrável!!!


Não há um só dia que eu não me lembre de algo que tenha me ensinado, me contado. Das tuas palavras de força, daquele simples abraço quando eu saia de casa, daquele pequeno beijo quando retornava, daquele brilho com que teus olhos se enchiam quando falava de mim e do que desejava para meu futuro.


Foi tu quem sempre confiou em mim, sempre se orgulhou de tudo que eu conquistava, sempre se compadecia com minhas derrotas e é por esse orgulho e a seu exemplo que hoje ganho força e coragem, como a santa, para secar as lágrimas e passar por momentos adversos, sei que nem de longe sou a mulher que você quis que eu me tornasse, mas carrego muito de ti em mim, principalmente a capacidade de amar sem limites, de perdoar, de ser justa e de rezar sempre...


Você sempre continuará em minha vida, mas hoje está junto de quem a criou e reconheço que não há palavras suficientes neste mundo para dignificar esta mulher!


Até sempre....

sábado, 19 de setembro de 2009

Vá...




Vá! Mas vá de uma vez...
Fale mal do mundo enquanto eu faço prosa
Enxergue apenas erros alheios
Tire suas próprias conclusões
Continue sendo co-dependente dos outros
Esconda-se dos outros e de si


Vá! Mas vá logo...
Invente Calúnias
Tire o corpo fora
Envolva-se com pessoas que não deveria
Passe adiante confidencias alheias
Aproveite-se do conforto emocional que lhe proporcionam


Vá! Mas vá bem depressa....
Queixe-se da vida
Insulte alguém
Faça comentários maldosos e pejorativos
Tripudie em cima do mal que criou
Ignore quem te ama


Vá! Mas vá e não olhe para trás...
Sinta prazer em condenar as pessoas
Diga a verdade somente com a intenção de magoar e não de ajudar
Tente encobrir fatos
Deixe família e amigos de verdade
Não admita os próprios erros
Brinque com os sentimentos dos outros com requintes de crueldade


Vá! Mas vá correndo...
Use as pessoas e ame as coisas
Responsabilize os outros por seus fracassos
Tire proveito das situações
Rotule atos inconsequentes como inevitáveis
Permaneça em seu mundo de mentiras.



Enquanto isso eu faço prosa... arrependida e envergonhada por ter caído no próprio engano, na própria ingenuidade, na própria credulidade...



Só quem faz sabe por que faz, por maldade, por diversão, por superiorização...

Assistam... Vá embora.... Quebre a cara!!!

sábado, 5 de setembro de 2009

Irmão (...)

Querido irmão, há sete anos quando você fez o encontro do Segue-me tive a oportunidade de lhe dizer boa parte destas palavras; ainda me lembro da Daiane e da tia Karla chorando ao ler minha carta para você. E também por isso venho torná-la pública porque ultimamente, e especialmente hoje, tenho absoluta certeza de que você é a minha melhor metade. Quando você nasceu morri de ciúmes, primeiro porque você obrigou minha mãe a ficar vários dias no hospital, eu só tinha cinco anos e naquele momento ela era tudo que eu tinha. Depois porque, de uma hora para outra, você se tornou o centro das atenções de nossa casa e ainda porque ocupou o meu lugar de caçula na família. Logo isso passou, você cresceu e meu pai passou a te chamar de campeão por querer vencer nas brincadeiras, sempre ter razão, impor regras e acabá-las quando estava cansado. Tenho muito orgulho do homem que você se tornou e tenho certeza que onde quer que esteja minha mãe e minha vó também se orgulham. Assim como nossas tias, nossa irmã e nosso pai. Embora eu nunca admita é você quem faz meus dias felizes e impulsiona minha existência. Esse ano quase te perdi de vista, por pouco não permiti que soltassemos as mãos um do outro e reconheço que minha covardia é tanta que ainda não consigo lhe pedir perdão olhando nos olhos. Essa semana ouvi de três pessoas distintas que tenho uma virtude que de tão exacerbada se torna um defeito: Só consigo ver o lado bom das pessoas! Isso me dá muita coragem e muita certeza de que minha intenção nunca foi preterir outros a você, acontece que não consegui enxergar maldade nas ações de algumas pessoas funestas que nos rodeava. Quem dera todos pudessem ter um irmão como o meu, porque ele é incomparável e imprescindível. Amo minha irmã, tenho verdadeira paixão por ela que é um ser muito especial, mas penso que se ela não existisse talvez minhas amigas saberiam bem desempenhar o papel dela, mas se não existisse o meu irmão dificilmente eu encontraria alguém que representasse tão bem o papel de pai, amigo, companheiro... Já tivemos muitos desentendimentos, graves brigas, você já me bateu eu revidei. Você já me magoou com duras palavras e eu devolvi xingamentos a altura, mas é que isso é tão natural entre irmão quanto o amor que os une. Devo reconhecer que seu coração é bem mais belo que o meu, irmão! Mesmo que as vezes seja rude, grosseiro e intolerante, você é muito mais a fim de dar o braço a torcer, muito mais disponível ao amor principalmente quando me ajuda, demonstrando que se preocupa comigo mesmo sem perceber. Você é mais corajoso que eu, é o eixo de nossa família, penso que sem você aqui, essa família tenderia ao fracasso, porque ela não sobrevive aos meus diálogos, aos meus discursos, às minhas lágrimas e sim às suas atitudes. Realizo-me com sua felicidade e com sua capacidade de superação. Não importa o rumo de nossas vidas para sempre você será meu irmãozinho caçula, com dentinhos tortos, briguento e manhoso criado com vó. Amo você!!! "Meu irmão, Faz muito tempo faz Que eu não te canto Uma canção. Que eu não te conto uma aventura, Um sonho, uma ilusão. Que eu não me sento calmamente Junto com você. O tempo passa... Meu irmão, Comigo os dias normalmente Cumprem sua função Entre sinuca, futebol, Amor e violão. Mas quando o tempo escurece, Vêm os temporais, E nem blasfêmias, crenças, preces Não ajudam mais, E a gente perde a paz... Aí eu lembro de você E essa lembrança me agiganta. Me faz vencer a dor E quando caio me levanta. Me faz conter o tempo E põe o mundo inteiro Em minhas mãos... Você meu grande herói, Mais poderoso que o inimigo. Você, constante amigo, Meu distante companheiro. Você, que o tempo inteiro Não tem medo do perigo, não!" (Composição: Toquinho) * A foto é de um 'kanji', um ideograma, que é uma representação gráfica de idéias da linguagem oriental, o nome dele é otouto e significa irmão mais novo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

“Um lugar deve existir (...) onde os sonhos extraviados vão parar.” (Chico Buarque)
Quisera eu descobrir esse lugar, exilar-me por lá e buscar meus sonhos perdidos, alguns deles erroneamente depositados nas mãos de outras pessoas. Quisera eu poder reformulá-los ou quem sabe até tirá-los do campo da abstração e viver a materialização desses almejos. Em busca do resgate desses sonhos compreendi que duas coisas nessa vida não nos pertence: O nascer e o morrer, o que nos pertence é como vivemos o intervalo entre uma coisa e outra. E que ser feliz ou não, nesse intervalo, depende essencialmente de nossas escolhas e da capacidade de harmonizar atos e vontades. E foi por uma dessas escolhas depois de algum tempo voltei a abraçar a mãe, não a minha mãe biológica, mas uma mãe que me escolheu como filha, porque me ama como tal, me acolhe como tal e me protege igualmente. Que me recebeu e quis que eu fizesse parte de sua vida, de sua família, filha também de seu esposo, irmã de seus filhos, cunhada de sua nora...
“Família é quem você escolhe pra viver Família é quem você escolhe pra você Não precisa ter conta sanguínea É preciso ter sempre um pouco mais de sintonia.” (O Rappa)
E ali havia amor, havia muito mais... havia o que há de positivo para se contabilizar na vida: Sorrisos sinceros, abraços afetuosos, sentimentos puros e sobretudo havia o resgate de um dos meus sonhos soterrados. O desejo de que aquele momento fosse para sempre possível, rotineiro, cotidiano e simples, assim como todo mundo merece que a vida seja. Família reunida para celebrar o dom da vida. Por um instante o pesadelo deu uma trégua e o sonho saído da abstração se concretizou. Não! Não descobri o lugar onde os sonhos extraviados vão parar, nem muito menos fórmula mágica para realizar desejos simples, mas pude, sem dúvida aproveitar cada segundo daquela oportunidade, guardar em minha essência cada sorriso, abraço, palavra, gesto de carinho e cada lágrima também porque não? Protegida, sim. Amada, muito mais. E tudo isso reencontrei desenterrando sonhos.. Mas eis que de repente lá estava eu sozinha de novo, humana, lamentavelmente humana, desprotegida sem saber o que fazer com o meu resto de intervalo até o morrer...